Tempestade de ideias

Lia Ernst Hans Gombrich. Encantado com Leonardo da Vinci, ao anoitecer de uma tarde amazônica. Absorto. Os olhos em “Estudos anatômicos”, laringe e perna, de 1510. Quanta perfeição! Pura arte e anatomia nunca vistas. A última ceia. Mona Lisa. Os olhos deslizam das páginas. À esquerda. Clarões, nuvens, luzes. Sinalizadores do pássaro de aço que da Vinci idealizara. Os olhos voltam-se para as páginas. Mona Lisa. Uma força me impele a erguer os olhos. Duas mãos estendidas por sobre a poltrona 10A chegam a me assustar. O sinal da presença humana tirou-me dos momentos de transe total nos quais vivia cada detalhe de Gombrich sobre da Vinci. A respiração oscilou o ritmo. Um rosto de menina surge entre aquelas mãos, na altura dos cotovelos, lança-me um sorriso terno, infantil e diz; “Tio, porque o senhor deixa aquilo aberto?” e dirige o braço direito para a janela da poltrona 11A na qual eu estava sentado. “É para olhar a nuvens e curtir essa sensação de liberdade”. Sorri. Ela sorriu. “Tomei um susto com as suas mãos”. Ela abriu ainda mais o sorriso. CONTINUA!

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Profana

Jogo com as palavras
Brinco com as lembranças
Bebo meu próprio veneno
Deitado no feno da vida
Ao lado desta solidão profana.


terça-feira, 15 de agosto de 2017

Ali mental ação

Gosto de sentir
O teu gosto na boca
Porque, assim,
O meu cérebro se alimenta do teu cheiro
E transforma este gosto em saudade.


segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Quase-sagrado

Esta nossa sociedade
Talvez, sem maldade
Aprisiona os afetos
E liberta os dejetos.
O lindo fica escondido
Como se fosse proibido
E o quase-sagrado
É visto como pecado.
O amor consagrado
Caminha ao largo
E o que é mais sensível
Parece estar invisível.
No social não aflora
Porque o pecado mora
Em quem ama sem rancor
Sem saber o que é a dor.