Tempestade de ideias

Lia Ernst Hans Gombrich. Encantado com Leonardo da Vinci, ao anoitecer de uma tarde amazônica. Absorto. Os olhos em “Estudos anatômicos”, laringe e perna, de 1510. Quanta perfeição! Pura arte e anatomia nunca vistas. A última ceia. Mona Lisa. Os olhos deslizam das páginas. À esquerda. Clarões, nuvens, luzes. Sinalizadores do pássaro de aço que da Vinci idealizara. Os olhos voltam-se para as páginas. Mona Lisa. Uma força me impele a erguer os olhos. Duas mãos estendidas por sobre a poltrona 10A chegam a me assustar. O sinal da presença humana tirou-me dos momentos de transe total nos quais vivia cada detalhe de Gombrich sobre da Vinci. A respiração oscilou o ritmo. Um rosto de menina surge entre aquelas mãos, na altura dos cotovelos, lança-me um sorriso terno, infantil e diz; “Tio, porque o senhor deixa aquilo aberto?” e dirige o braço direito para a janela da poltrona 11A na qual eu estava sentado. “É para olhar a nuvens e curtir essa sensação de liberdade”. Sorri. Ela sorriu. “Tomei um susto com as suas mãos”. Ela abriu ainda mais o sorriso. CONTINUA!

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

Renovação


Quando consigo ouvir
A voz do teu coração
O que parecia desistir
Vira fé e renovação.
Fé porque volto a acreditar
Que um dia vou terminar
Meus dias ao teu lado
Casado ou enamorado.
Como enamorado estou
Desde que você me falou
Que me ama mais que antes
Não seremos só amantes.
Volta tudo e a paixão
É pura renovação
Do nosso voto de amor
No fogo deste calor.


terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

Em pensamento


Consigo até imaginar
O teu jeito de amar
De assim me querer
E arrancar meu prazer.
Basta lembrar do jeito
Que deitas no meu peito
Aquele modo de olhar
Indica o que virá.
E você desce felina
A percorrer toda a pele
Tua língua feminina
Na minha pele imberbe.
Quem nos lê imagina
O que foi a minha sina
Urrei de tanto gozar
Só de te imaginar.


segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

Adverbialmente


De tudo ou nada resta-me pouco
De tudo aquilo que me deixou louco
Hoje só tenho pequenos espasmos
De o quê foram nossos orgasmos.
E tudo com muita intensidade
Pelo tamanho da saudade
Quase tudo são lembranças
Até todas as desesperanças.
Depois de nada a contestar
E muito o que recordar
Ainda que desesperadamente
O quase-tudo que domou sua mente.
E te fez derrubar castelos
Embora momentaneamente
Um amor dos mais belos
Sobrevive adverbialmente.