Tempestade de ideias

Lia Ernst Hans Gombrich. Encantado com Leonardo da Vinci, ao anoitecer de uma tarde amazônica. Absorto. Os olhos em “Estudos anatômicos”, laringe e perna, de 1510. Quanta perfeição! Pura arte e anatomia nunca vistas. A última ceia. Mona Lisa. Os olhos deslizam das páginas. À esquerda. Clarões, nuvens, luzes. Sinalizadores do pássaro de aço que da Vinci idealizara. Os olhos voltam-se para as páginas. Mona Lisa. Uma força me impele a erguer os olhos. Duas mãos estendidas por sobre a poltrona 10A chegam a me assustar. O sinal da presença humana tirou-me dos momentos de transe total nos quais vivia cada detalhe de Gombrich sobre da Vinci. A respiração oscilou o ritmo. Um rosto de menina surge entre aquelas mãos, na altura dos cotovelos, lança-me um sorriso terno, infantil e diz; “Tio, porque o senhor deixa aquilo aberto?” e dirige o braço direito para a janela da poltrona 11A na qual eu estava sentado. “É para olhar a nuvens e curtir essa sensação de liberdade”. Sorri. Ela sorriu. “Tomei um susto com as suas mãos”. Ela abriu ainda mais o sorriso. CONTINUA!

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Adoração

Ajoelho-me aos teus pés.
Não digo nem peço nada.
O gesto fala por si.


domingo, 19 de novembro de 2017

Imagnário

Vejo-me, aqui, solitário
Nem telefonema recebo
Neste meu imaginário
A realidade, não percebo.
Sonho, mas, você não vem
Nem sei se um dia chegará
E se nem esperança se tem,
Como ainda se pode amar?
É pensamento totalitário
De quem no imaginário
Ainda mantém um vintém
De sonho de quem não vem.


sábado, 18 de novembro de 2017

Feridas

Assim é você
Um pouco de mim
No meu touchscreen.
E se a tela está cheia
Por dentro da veia
Você se infiltrou.
Teclados da vida
Espalham feridas
Em modo caps lock.
Basta um toque
Muda o enfoque
Posso diminuir.
As cores da tela
Esquecem aquela
Que é tudo para mim:
Travou o touchscreen.