Tempestade de ideias

Lia Ernst Hans Gombrich. Encantado com Leonardo da Vinci, ao anoitecer de uma tarde amazônica. Absorto. Os olhos em “Estudos anatômicos”, laringe e perna, de 1510. Quanta perfeição! Pura arte e anatomia nunca vistas. A última ceia. Mona Lisa. Os olhos deslizam das páginas. À esquerda. Clarões, nuvens, luzes. Sinalizadores do pássaro de aço que da Vinci idealizara. Os olhos voltam-se para as páginas. Mona Lisa. Uma força me impele a erguer os olhos. Duas mãos estendidas por sobre a poltrona 10A chegam a me assustar. O sinal da presença humana tirou-me dos momentos de transe total nos quais vivia cada detalhe de Gombrich sobre da Vinci. A respiração oscilou o ritmo. Um rosto de menina surge entre aquelas mãos, na altura dos cotovelos, lança-me um sorriso terno, infantil e diz; “Tio, porque o senhor deixa aquilo aberto?” e dirige o braço direito para a janela da poltrona 11A na qual eu estava sentado. “É para olhar a nuvens e curtir essa sensação de liberdade”. Sorri. Ela sorriu. “Tomei um susto com as suas mãos”. Ela abriu ainda mais o sorriso. CONTINUA!

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Assalto

Escuro.



Olhos semicerrados.


Tento decifrar algo.


Ouço uma respiração ofegante.


Há alguém emcasa.


Preparo-me.


Arma na mão.


Medo.


Pavor.


Serei capaz?


Trevas.


Frio na barriga.


Aproximo-me do interruptor.


Luz acesa.


Mascarado em minha frente.


Pega meu pulso.


Dobra.


Força.


Sinto.


Frio punhal.


Sangue escoa.


Peito aberto.


Olhos esbugalhados.


Não enxergo nada.


Curvo-me.


Para trás.


Para a frente.


Não sei mais.

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